Passatempo Damon, o regresso - TV Mais

imagem16


Queridos vampiros,


Para aqueles que ainda não desataram a correr na direcção das livrarias para comprar Damon, o regresso - Crónicas Vampríricas V, apressem-se a concorrer a este passatempo da revista TV Mais que saiu hoje nas bancas!


PASSATEMPO TV Mais - Planeta: 5 exemplares para oferecer


Envie TVLIVRO (espaço) uma frase sobre vampiros (espaço) nome completo e morada, para o 68326 (o,60€) e habilite-se a ganhar um livro.


Boa sorte para todos!

1 Comentário Ferra-lhe o dente

Katherine regressa em força… e já não usa corpete

damon-and-katherine-bed-scene-the-vampire-diaries-tv-show-10269562-379-642


Queridas feras,


Segundo Kevin Williamson, Katherine regressa à segunda temporada ainda mais mazinha do que foi na primeira. Talvez porque ganhou o prémio CW Sourcies de Melhor Vilão contra o próprio Lúcifer (as mulheres são tramadas) e a fama subiu-lhe à cabeça.


Entretanto, quem está feliz por poder dedicar mais tempo à insidiosa vampira é Nina Dobrev, que, em entrevista no festival Comic Con deste ano, chegou mesmo a dizer que «será bom estar na pele de Damon mais vezes». Humm, na pele de Damon parece-nos um bom lugar para se estar muitas vezes, é certo, mas o que Dobrev quis dizer é que está ansiosa por saltar para o lado dos maus, vestir umas calças justinhas e uns sapatos de saltos altos e andar por aí a semear o caos.


Sim, porque Katherine lá deixou os corpetes e os folhos no báu e agora é uma vampira moderninha e mais sexy do que Elena, a menina dos jeans, como lhe chama Dobrev. Vejam a entrevista e digam-nos se não vale a pena começarmos já a salivar à frente do écrã.


 


Damon, o regresso já à venda na WookFnac, Bertrand.

0 Comentários Ferra-lhe o dente

1º capítulo de Damon: o regresso, Crónicas Vampíricas V

imagem16


Queridos vampiros,


Aqui está ele, o muito aguardado princípio de Damon: o regresso, quinto livro de Crónicas Vampíricas, de L. J. Smith, à venda a partir de dia 26 de Julho. Bebam-no até à última letra. E, depois, digam-nos o que acharam.


Prefácio

 

Ste‑fan?

Elena estava frustrada. Não conseguia fazer com que a palavra mental lhe saísse da maneira que queria.

– Stefan – incitou‑a, inclinando‑se sobre um cotovelo e olhando para ela com aqueles olhos que quase sempre a faziam esquecer‑se do que estava a tentar dizer. Brilhavam como folhas verdes à luz do Sol. – Stefan – repetiu. – Consegues dizê‑lo, meu amor?

Elena devolveu‑lhe o olhar solenemente. Ele era tão bonito que lhe par­tia o coração, com as feições pálidas e cinzeladas e com o cabelo escuro a cair‑lhe descuidadamente na testa. Queria transpor para palavras todas as sensações que se amontoavam por detrás da sua língua desastrada e da mente obstinada. Havia tantas coisas que precisava de lhe perguntar… e de lhe dizer. Mas os sons ainda não saíam. Enrolavam‑se‑lhe na língua. Nem sequer os conseguia fazer chegar a ele por via telepática – apenas surgiam imagens fragmentadas.

Afinal de contas, era apenas o sétimo dia da sua nova vida.

Stefan disse‑lhe que quando ela acordou, quando regressou do Outro Lado depois de ter morrido como vampira, tinha sido capaz de andar e falar e fazer todo o tipo de coisas que agora parecia ter esquecido. Ele não sabia por que ela as esquecera – nunca ouvira falar de alguém que regres­sasse da morte excepto os vampiros, como Elena fora, mas que de certeza já não era.

Stefan também lhe disse, animadamente, que ela estava a aprender bastante depressa todos os dias. Novas imagens, novas palavras mentais. Apesar de algumas vezes ser mais fácil para ela comunicar do que outras, Stefan estava certo de que dentro em breve ela voltaria a ser ela mesma. Então agiria como a jovem que realmente era. Já não seria uma jovem adulta com uma mentalidade de criança, tal como os espíritos pretendiam claramente que ela fosse: crescer, ver o mundo com novos olhos, os olhos de uma criança.

Elena pensou que os espíritos tinham sido um tanto injustos. E se entre­tanto Stefan encontrasse alguém que soubesse andar e falar – e até mesmo escrever? Elena preocupava‑se com isto.

Fora por essa razão que, algumas noites antes, Stefan acordou e desco­briu que ela tinha saído da cama. Encontrara‑a na casa de banho, agarrada ansiosamente a um jornal, a tentar retirar algum sentido dos caracteres que ela sabia serem palavras que em tempos reconhecera. O jornal estava cheio de marcas das suas lágrimas. Os caracteres não tinham qualquer significado para ela.

– Mas porquê, meu amor? Vais aprender a ler novamente. Porquê a pressa?

Isso foi antes de ele ver os pedaços do lápis, partido por ter sido agar­rado com demasiada força, e os guardanapos de papel cuidadosamente amontoados. Elena estivera a usá‑los para tentar imitar as palavras. Se ela conseguisse escrever como as outras pessoas, talvez Stefan deixasse de dormir na cadeira e se abraçasse a ela na cama grande. Não iria à procura de alguém mais velho ou mais esperto. Ele saberia que ela era crescida.

Ela viu como Stefan associou tudo isto devagarinho na sua mente, e viu as lágrimas a assomarem‑lhe aos olhos. Fora levado a pensar que não lhe era permitido chorar em circunstância alguma. Contudo, virou‑se de costas para ela e respirou lenta e profundamente durante o que pareceu bastante tempo.

E depois pegou nela, levando‑a para a cama no seu quarto e olhou‑a nos olhos, dizendo:

– Elena, diz‑me o que queres que faça. Mesmo que seja impossível, eu faço‑o. Eu juro. Diz‑me.

Todas as palavras que ela queria pensar para ele estavam ainda encra­vadas dentro dela. Os olhos deixaram rolar as lágrimas, que Stefan afastou com os dedos, como se fosse arruinar um quadro valiosíssimo se lhe tocasse com demasiada força.

Então Elena ergueu o rosto, fechou os olhos e franziu ligeiramente os lábios. Queria um beijo. Mas…

– Neste momento, és apenas uma criança na tua mente – disse Stefan, agonizante. – Como poderia aproveitar‑me de ti?

Havia uma linguagem gestual que eles tinham na vida antiga, da qual Elena ainda se lembrava. Ela dava toques por debaixo do queixo, ali no sítio mais suave: um, dois, três.

Significava que interiormente ela se sentia desconfortável. Como se tivesse a garganta demasiado cheia. Queria dizer que ela queria…

Stefan resmungou.

– Não posso…

Tum‑tum‑tum…

– Ainda não voltaste a ser como eras antes…

Tum‑tum‑tum…

– Ouve‑me, amor…

TUM! TUM! TUM! Ela olhou para ele com olhos suplicantes. Se conse­guisse falar, ter‑lhe‑ia dito: Por favor, dá‑me algum crédito – não sou com­pletamente estúpida. Por favor, ouve aquilo que não te consigo dizer.

– Estás a sofrer. Estás a sofrer mesmo muito – foi o que Stefan interpre­tou, com alguma resignação. – Se… se eu… se ao menos eu pudesse pegar num bocadinho…

E de repente os dedos de Stefan eram suaves e seguros, movendo‑lhe a cabeça, erguendo‑a, virando‑a no ângulo exacto, e então ela sentiu as den­tadas gémeas, que a convenceram mais do que qualquer outra coisa de que ela estava viva e que já não era um espírito.

E nesse momento ela tivera a certeza absoluta de que Stefan a amava a ela e não a outra pessoa, e que podia dizer a Stefan algumas das coisas que queria. Mas teria de as dizer em pequenas exclamações – não de dor – com estrelas e cometas e feixes de luz a caírem em volta dela. E fora Stefan quem não conseguira formar uma única palavra mental para ela. Fora Stefan quem emudecera.

Elena sentiu que era justo. Depois disso, ele abraçara‑a durante a noite e ela sentira‑se sempre feliz. 

 

Leiam o resto aqui.


1 Comentário Ferra-lhe o dente

Nina Dobrev, num dia em que o amor é complicado e tal

nina-dobrev-with-bloody-knife


Queridos Dobreviciados,


Eis uma arrepiante foto de Nina Dobrev posta no tweeter pela própria, no primeiro dia de filmagens da segunda temporada de Diários do Vampiro. Não sabemos como é que a faca (perdão, a catana) foi parar às mãos angélicas de Elena (porque, reparem no colar, não é Katherine) mas a verdade é que mesmo com uma lâmina (perdão, trincha) ensanguentada nas mãos, Nina Dobrev tem sempre aquele ar de menina perdida que não faz mal a uma aranha. Pois, desenganem-se, as sonsas são as piores!


Entretanto, no seu blog, L. J. Smith não só anunciou que já acabara de escrever Midnight (último volume da trilogia O Regresso, de Crónicas Vampíricas) e que aguardava agora a revisão do editor, como revelou que acabara de escrever Phantom, o primeiro volume de uma nova trilogia na saga Vampire Diaries. Ainda não se sabem datas de publicação, mas o futuro sorri aos seguidores de Elena, Stefan e Damon. Não confundir esta nova trilogia com a trilogia baseada na série de televisão e já aqui divulgada, Stefan’s Diaries, projecto cuja autoria é atribuída a Julie Plec, Kevin Williamson e L. J. Smith e cujos livros se intitulam Origins, Bloodlust e The Craving.


Só mais uma, para o caminho, Nina e Kevin Williamson:


132800782-2057232471ef1cbc99b1a782a09f0b1c_4c488018-full

Quanto a Damon, estamos quase quase quase a ter o primeiro capítulo!!! Não desesperem!!!

3 Comentários Ferra-lhe o dente

Hoje não há fotos de Ian Somerhalder: contenção, contenção!


K-Bel-Gd.inddimagem1-740x10241


Olá, leitores demoníacos,


Pois, em vez de estarmos aqui a transpirar de ansiedade enquanto não chega Damon e a reler uma e outra vez os últimos capítulos de Reunião Sangrenta (larguem o livro, por favor!), que tal ouvirmos tranquilamente estes dois senhores a falar de dois OUTROS LIVROS que também podem ser interessantes?


Portanto, hoje, não há fotos de Ian Somerhalder a piscar-nos o olho ou a ferrar o dente num pescocinho apetitoso. Temos, sim, Michael Grant, que nos fala de Desaparecidos, e Care Santos, que nos fala de Bel, o amor para além da morte. Alguma contenção, valha-nos Deus.


DESAPARECIDOS - apresentação de Michael Grant.



BEL, O AMOR PARA ALÉM DA MORTE - apresentação de Care Santos



Para os interessados, vale a pena ver o blog de Bel, o amor para além da morte.


Sim, nós sabemos que querem o Damon, ele já vem, depois não se queixem, não se ponham com coisas, que já leram e tal, e querem mais, e quando chega o próximo, etc.



0 Comentários Ferra-lhe o dente

Damon em doses industriais: de sangrar por mais

lsian34


Queridos adoradores de Damon,


O momento é vosso. Agora que se aproxima o dia 26 de Julho e, com ele, a chegada do quinto volume de Crónicas Vampíricas, intitulado Damon: o regresso, prometendo doses industriais de Damon, não resistimos a publicar este vídeo de promoção da CW centrado no Bad Boy da série Diários de Vampiro. A segunda temporada vai rebentar nos EUA no dia 9 de Setembro e o primeiro episódio já tem título: O Regresso.


Vejam o vídeo e sangrem por mais…



Em seguida, uma imagem do guião do primeiro episódio da segunda temporada de Diários do Vampiro entregue a Ian Somerhalder. Já não há unhas que aguentem tanta espera…


201thereturnscript

2 Comentários Ferra-lhe o dente

Capa de Damon: o regresso e nova data de saída


imagem16


Vampiros,


FINALMENTE novidades do muito aguardado regresso de Crónicas Vampíricas de L. J. Smith. Para os muitos fãs que começavam a não ter paredes por onde trepar, eis a capa do primeiro livro da trilogia que marca o regresso da saga: Damon, o regresso. A data de saída teve, como todos suspeitávamos, de ser alterada, mas o compasso de espera não é grande: não sai a 15 de Julho, mas a 26 de Julho. E valerá a pena esperar mais estes dez dias, porque Damon, o regresso é um longo e vibrante retorno ao mundo de Crónicas Vampíricas.


E a capa, inspira-vos? Provoca-vos suores frios, calores inesperados? Uma sede capaz de tragar um oceano?


Para vossa informação, L. J. Smith publicou a tetralogia inicial (Despertar, Conflito, Fúria e Reunião Sangrenta) no início dos anos 1990 e só regressou com o primeiro livro da trilogia final em 2009, com a publicação, nos EUA, de Nightfall. É precisamente The Return: Nightfall (entre nós, Damon, o regresso) que agora se publica em Portugal.


SINOPSE DE DAMON: O REGRESSO:


Elena Gilbert está viva - de novo.


Quando se sacrificou para salvar os dois irmãos vampiros que a amavam, Elena foi condenada a um destino para lá da morte. Até uma poderosa força sobrenatural a puxar de volta. Agora, Elena não é apenas humana. Possui dons e poderes que lhe foram atribuídos no além. Mais ainda: o seu sangue pulsa com uma força única e esmagadora que a torna irresistível a qualquer vampiro.

Stefan quer descobrir uma maneira de manter Elena a salvo para poderem ter uma vida juntos. Damon, porém, é movido por um insaciável desejo de poder e quer que Elena reine como sua princesa. Quando Stefan é atrído para longe de Fell Church, Damon aproveita a oportunidade para convencer Elena de que ele é o irmão com quem ela está destinada a ficar.

Mas as trevas apoderaram-se da cidade e Damon, o eterno caçador, vê-se convertido em presa. A presa de uma criatura malévola que pode possuí-lo quando quer e que deseja não só o sangue de Elena como a sua morte.

EM BREVE, AQUI NO BLOG, O PRIMEIRO CAPÍTULO DE DAMON: O REGRESSO

4 Comentários Ferra-lhe o dente

Cassandra Clare na Sic Notícias e em entrevista à Saponotícias

capa-a-cidade-de-vidro

Deliciosos vilões,


Cassandra Clare esteve em Lisboa, a apresentar A Cidade de Vidro e, como já estamos outra vez cheios de saudades, aqui fica uma recordação do momento gravada para a Sic Notícias. Inclui entrevista com a autora, que fala também da adaptação da saga ao cinema (pelos produtores de O Senhor dos Anéis) e filmagens do lançamento - se calhar, alguns de vocês apareceram na Sic e ainda não sabem…



Aqui, segue-se outro vídeo, feito pela Saponotícias, com entrevista à autora: «Cassandra Clare: a nova escritora sensação?»



Que tal, alguém se viu no primeiro vídeo? Já estão com saudades de Cassandra? E A Cidade de Vidro, continua a fazer-vos chorar por mais?

16 Comentários Ferra-lhe o dente

Capa de Midnight: o último volume de Crónicas Vampíricas


tvdmidnight


Queridos vampiros,


Enquanto aqui em Portugal aguardamos - com o sangue a ferver - a chegada de Damon, o primeiro volume da trilogia O Regresso, de Crónicas Vampíricas, nos EUA a espera centra-se no último volume da saga, que estará à venda dia 15 de Março. Em cima, podem ver a capa, já divulgada pela Harper Collins. Aqui, divulgaremos a nossa capa de Damon e o primeiro capítulo assim que estes nos chegarem às nossas mãozinhas febris.


Recordamos, entretanto, que as capas originais do primeiro e segundo volumes desta trilogia que encerra Crónicas Vampíricas são igualmente magnéticas, como podem recordar.


normal_nightfallus09normal_tvd06_usa_2010


Entretanto, a segunda temporada da série televisiva Vampire Diaries / Diários do Vampiro estreia nos EUA a 9 de Setembro e nós cá estaremos para postar os novos episódios. A série é a grande vencedora dos prémios The Sourcies, do canal CW, arrasando nas categorias de Melhor Beijo, Melhor Luta, Momento mais Quente e, agora, Momento mais Surpreendente (Ufa, não é Elena, é Katherine… lembram-se da sensação em The Founder’s Day?) e o Melhor Vilão (pois é, Katherine ainda é pior do que Lúcifer…):


Momento mais Surpreendente:

 


Melhor Vilão:

 

Desejamos a todos um fim-de-semana perverso e cheio de sobressaltos!

3 Comentários Ferra-lhe o dente

Bel, o amor para além da morte: um excerto


K-Bel-Gd.indd


Doces almas perdidas,


O que vão ler a seguir é um excerto de Bel, o amor para além da morte, de que vos falámos no último post.  Sabemos que estão habituados a mundos intrigantes e personagens estranhas em situações ainda mais estranhas, mas Bel talvez consiga surpreender-vos. Uma coisa é certa, nestes tempos em que o romance floresce tantas vezes ao lado do terror, o amor revela-se, de novo, um lugar estranho, ainda que assustadoramente familiar. Boa viagem ao mundo de Bel…


2 DE FEVEREIRO, SEGUNDA‑FEIRA

 

A presença de Bel não perturba o silêncio do hospital. Embora nada mais faça a não ser transpor a porta principal, ela sente a dor das gentes que sofrem neste lugar. Lança uma vista de olhos em seu redor para situar‑se. Lê um painel de indicações. Observa o gabinete do fundo, que tem os vidros fechados. No seu interior, uma enfermeira vê televisão de costas para ela. Não pode vê‑la. Em seguida, com passo firme e seguro, Bel per­corre o corredor até junto dos elevadores. As portas estão abertas. Entra e prime o número cinco.

A estas horas da madrugada, os corredores estão desertos. Os do quinto piso encontram‑se na penumbra, e acha isso agradável, porque reparou que a luz muito brilhante lhe fere os olhos. Não saberia dizer o que a guia exactamente. Poderíamos chamar‑lhe pressentimento. Bel sabe para onde vai, e também que no final do corredor irá encontrar a pessoa que mais ama no mundo. Sabe que essa pessoa, além do mais, está a sofrer. Sabe‑o, porque é capaz de sentir essa dor. Além disso, acha que foi isso que a guiou até aqui. Não pode suportar que sofra.

No total, foram cento e dois passos. Agora adquiriu esse hábito, o de contar os seus passos sobre a terra, como se isso fosse importante. Vira à direita, passa à esquerda pelo posto da enfermeira – onde não se encontra ninguém – e penetra numa zona restrita. Outra vez à direita, escolhe um quarto, detém‑se na ombreira. Observa.

Meu Deus, que pálido que está.

De repente, sente uma vontade terrível de chorar.

Um nó oprime‑lhe a garganta. Nem tudo é tristeza. Também existe o amor, que a afoga de súbito.

Por fim estou contigo. Nunca mais me separarei de ti.

Avança em direcção à cama e olha fixamente para Ismael. Os seus olhos fechados, as suas mãos adormecidas de ambos os lados da cama, o tubo de plástico que sobressai dos seus lábios, a pulsação acelerada do seu coração desenhado no ecrã de uma máquina… Assim à primeira vista, trata‑se ape­nas de um paciente que luta entre a vida e a morte. Se bem que para ela é muito, muitíssimo mais do que isso.

– Olá, Isma, já estou aqui. Não foi fácil cá chegar. Se soubesses de onde venho…

Esforça‑se por sorrir, mas esta sua tentativa não lhe sai lá muito bem.

Senta‑se junto de Isma. Pega‑lhe na mão e, lentamente, deixa cair a sua cabeça sobre ela, acaricia‑lhe a face devagar, roça os dedos dele com os seus lábios. Sussurra uma promessa, com os olhos inundados de lágrimas:

– Vou descobrir o que aconteceu, prometo‑te. E virei ver‑te todos os dias até que fiques bem.

Fica ali, muito quieta, sentada junto à cama, durante horas. De vez em quando fecha os olhos. Quando os abre de novo, olha outra vez para a cara de Ismael, e regressam a raiva e a dor, o amor e o desconcerto. Acodem à sua mente cenas do passado que partilharam juntos, embora desconheça a procedência da maioria delas. As palavras em inglês que martelam na sua cabeça, por exemplo: I’ll be Okay. Ficarei bem. Sabe que são importantes, mas não é capaz de recordar por que razão. Então, deseja com todas as suas forças que Isma se recupere, que abra os olhos, que possa libertar‑se dessas máquinas que o ajudam a continuar a respirar. Que viva.

– Tenho a certeza que vais recuperar. Nem te passe pela cabeça outra ideia!

Por um momento, parece que lhe ralha. Afasta um pouco o cabelo da testa do rapaz, descobre a ferida escura, fechada, da sua cabeça. O hema­toma, os pontos. Repara no gesso do seu braço direito e nos que se adivi­nham por debaixo dos lençóis, nas duas pernas.

– Pobrezinho, como foi que te magoaste tanto? – pergunta, sem esperar resposta.

Do corredor chega o tiquetaque de um relógio. Bel não faz ideia de que horas sejam. Ainda é noite cerrada. Beija os dedos da mão esquerda de Isma, um por um.

Sobressalta‑a um som de passos. Alguém caminha a toda a pressa pelo corredor. Sabe o que isso significa: o início de um novo dia no hospital, a chegada das primeiras enfermeiras do turno da manhã, o fim da calma nocturna. Olha pela janela e dá‑se conta de que está a amanhecer.

É melhor eu ir‑me embora.

Não se incomoda com o tubo que sai dos lábios de Isma. Nem tão‑pouco se importa que ele nem sequer se tenha dado conta da sua presença. Sente que ter vindo até aqui fez todo o sentido, que um único beijo justifica qual­quer distância. Nesse preciso momento, Bel recorda‑se do conto A Bela Ador­mecida e pensa que seria genial que acontecesse a mesma coisa, que o seu beijo de amor quebrasse o feitiço da morte. Mas não foi assim. Não acontece nada. Isma continua a dormir e ela precisa ir‑se embora. Ainda que lhe doa, ainda que a última coisa que deseje no mundo seja separar‑se dele.

Voltarei na próxima madrugada. E em todas as outras até que acordes.

Acredita que, de algum modo, Isma se apercebe de que ela veio de muito longe para vê‑lo. Que talvez possa pressenti‑la, imaginá‑la, adivinhá‑la…

Deposita um longo beijo sobre os lábios ressequidos e entreabertos do paciente.

Até amanhã, meu amor.

E sai sem fazer ruído algum e sem que ninguém repare na sua presença.

 

QUEM SABE SE, NO PRÓXIMO POST, JÁ TEMOS NOTÍCAS DE DAMON…

1 Comentário Ferra-lhe o dente